É possível viver de dividendos de ações? Saiba como!


Muitos investidores de longo prazo têm por objetivo viver de dividendos. Ou seja, planejam acumular uma quantidade de ações suficiente para, apenas com o pagamento de dividendos, garantir a renda necessária para cobrir os gastos mensais e garantir um padrão de vida de qualidade, sem depender de outras fontes de renda. Mas este é um sonho possível?
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1. Os dividendos e o longo prazo

É, desde que você tenha paciência e muita perseverança. Muitas empresas pagam pouco, em dividendos – às vezes, só uns 2 ou 3% sobre o valor de sua cotação. Por exemplo, a Ambev (AMBV4), ano passado, pagou R$ 2,12 em proventos (dividendos e juros sobre o capital, já incorporando o desdobramento ocorrido em dezembro). Tendo em vista que, em dezembro, as ações AMBV4 estavam cotadas a aproximadamente R$ 45,00, isso equivalia a um Dividend Yield de apenas 4,7%. Bem abaixo da poupança e da renda fixa em geral, concorda?
Mas os dividendos são importantíssimos. Não se atenha ao Dividend Yield em demasia. O que importa é o crescimento do valor pago em dividendos ao longo do tempo, e não a relação entre os dividendos e o preço da ação. E, nisso, a Ambevt em sido extremamente bem sucedida. Dêem uma olhada na seguinte planilha:
Em primeiro lugar, preste atenção na coluna “Dividendo/ação” entre os anos de 2002 e 2010. Em 2002, a Ambev pagou para seus acionistas R$ 0,16 em proventos. Em 2010, foram pagos R$ 2,12 – ou 1.225% a mais que em 2002. Anualmente, isso equivale a um aumento de 33,26% por ano no valor pago em dividendos. Entre 2009 e 2010, a taxa foi ainda maior – a empresa pagou o dobro em 2010 do que havia pago no ano anterior.
Mas 9 anos é um período curto para avaliar como os dividendos podem ter impacto significativo no seu patrimônio. Sealguém tivesse investido R$ 5.000,00 por ano entre 2002 e 2010 em ações da AMBEV, e reinvestisse o valor recebido em dividendos em ações da companhia, teria recebido em 2010 cerca de R$ 7.580,90 em dividendos, tendo investido até então R$ 40.000,00. Ou seja, o patrimônio investido estaria com uma rentabilidade de 18,95% – bem acima da renda fixa.
Mas vejamos o poder do longo prazo. Imagine que nosso diligente investidor comprasse, todo ano, R$ 5.000,00 em ações da empresa e reaplicasse o valor recebido em dividendos, comprando novas ações. Como ele se sairia?
Assumi as seguintes premissas: os dividendos pagos pela empresa cresceriam à taxa de 33,26% (taxa anual composta entre 2002 e 2010) até 2012, e a partir daí diminuiria o ritmo de crescimento. Entre 2013 e 2018 o pagamento de dividendos cresceria anualmente à metade dessa taxa, e a partir de 2019, cresceria apenas 10% ao ano – uma taxa adequada para períodos de baixo crescimento. Assumi ainda que o preço das ações cresceria 20% ao ano até 2013, 15% ao ano até 2018 e 10% ao ano daí em diante.
Mesmo assim, o investidor não teria do que reclamar. Em 2028, teria recebido, no total, R$ 1.806.000,00 em dividendos, tendo investido R$ 130.000,00 de seu próprio bolso. A paciência é recompensada, concorda? E, no total, os dividendos cresceriam 15.258% desde o primeiro investimento…
Mas este é um exemplo que remete a uma empresa sólida, com bom histórico de crescimento. É óbvio que nem todo investimento em ações, no longo prazo, terão um resultado como este. Não é possível garantir nem mesmo que a Ambev terá este futuro, embora as projeções tenham sido formuladas com premissas que considero bastante razoáveis.

2. E as empresas boas pagadoras de dividendos?

No exemplo da AMBEV, discuti o que aconteceria com uma empresa de forte crescimento. Mas vejamos o que aconteceria com uma empresa com bom histórico de pagamento de dividendos, como a CPFL Energia:
Nesse exemplo, foram assumidas premissas um pouco mais conservadoras. Entre 2011 e 2012, a empresa continuaria a crescer o pagamento de dividendos a 30,85% (a taxa de crescimento entre 2004 e 2010); entre 2013 e 2018, a taxa cairia pela metade; e a partir daí, a taxa seria de 10%. Também foram adotadas premissas conservadoras para o crescimento da cotação do ativo: 15% até 2012; 12% até 2018; e 10% daí por diante.
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E mesmo não sendo a CPFL Energia uma empresa de crescimento, o seu histórico de excelente pagadora de dividendos permite concluir que, mantidos os princípios de sua administração, quem detiver suas ações e reaplicar os dividendos recebidos poderá ter bons motivos para comemorar daqui a algumas décadas. O investidor teria recebido, apenas em dividendos, mais de R$ 3 milhões até 2028. Apenas em 2028, teria recebido R$ 650.000 em dividendos, ou três vezes todo o valor aplicado no período. Em apenas um ano.

3. Conclusões: é possível se aposentar com dividendos?

Como o leitor já deve ter percebido, é perfeitamente possível se aposentar com os rendimentos recebidos na forma de dividendos. Mas o melhor caminho para alcançar este objetivo é ter paciência e uma carteira bem diversificada de ativos lucrativos e pagadores de dividendos.
Fábio Almeida, www.opequenoinvestidor.com.br


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