Economizar 10% do salário é pouco para assegurar a independência financeira

Por Fábio Portela

Um dos conselhos mais oferecidos por profissionais de finanças pessoais é a de que todos deveriam poupar 10% de sua renda mensal. O próprio livro (que é excelente, por sinal) O Homem Mais Rico da Babilônia recomenda essa estratégia. Segundo essa abordagem, esse montante seria adequado para garantir uma vida financeira tranquila e uma aposentadoria adequada ao final do tempo. Mas será que 10% é uma meta adequada?

10% é bom para começar, mas insuficiente para garantir a independência financeira

Economizar 10% do salário é bom para quem está começando a organizar a vida financeira. Também é melhor poupar 10% do que nada. Mas isso não é lá muito estimulante: o ideal é economizar o máximo possível – se possível, o ideal seria algo em torno de 20% a 30% da renda mensal. Impossível? Não. Difícil? Bastante. Para muitos, alcançar essa meta é complicada – mas quando vemos o estilo de vida pessoa, logo descobrimos porque alcançar esta meta parece algo impossível. Boa parte do salário se esvai em festas, roupas desnecessárias, jantares caros, tentativas vãs de realizar caprichos dos filhos e, quando se percebe, não sobra quase nada para economizar.

Ebook de Fábio Portela

 
Evidentemente, existem muitas pessoas cuja renda não é suficiente para economizar nem os 10% com muito sacrifício. Quem se encontra nessa situação só tem uma alternativa: buscar se qualificar para conquistar melhores postos de trabalho e salários mais elevados. Não estou me dirigindo a estas pessoas – não por preconceito com sua situação, mas porque o que estou discutindo não é aplicável a tal situação. Mas existe um grande contingente de pessoas com bons salários, acima de seus 6 ou 7 mil reais, e não consegue economizar mais do que seiscentos ou setecentos reais. E esse valor pode não ser suficiente para garantir a independência financeira, principalmente em um horizonte de juros mais reduzidos.
Veja a seguinte tabela:
Independência financeira
O cálculo partiu da situação de alguém que ganha, hoje, R$ 6.000,00 (líquido) e decide fazer aportes para garantir sua independência financeira. As 3 tabelas espelham a poupança de 10% (R$ 600), 20% (R$ 1.200) e 30% (R$ 1.800) de seu salário, com posterior investimento em um conjunto de aplicações que garantiriam uma rentabilidade real de 4% ao ano. Preferi ser conservador nos cálculos porque acredito que essa abordagem reflete a preferência da maioria dos brasileiros (investimentos mais conservadores). Mesmo assim, garantir 4% ao ano de rentabilidade real hoje é uma tarefa difícil com investimentos conservadores; para garanti-la, é preciso investir em algo além de títulos do tesouro nacional.

Ebook de Fábio Portela

 
Bom, o que o resultado mostra é que a economia de apenas 10% do salário garantiria uma renda (em valores de hoje, porque contei com rentabilidade real) de R$ 1.767,00. Somados aos proventos do INSS, que paga, no teto, aproximadamente R$ 4.000,00, o investidor teria R$ 5.767,00 de aposentadoria. Bem próximo do salário obtido na atividade. Mas veja bem como a situação é perigosa: para receber esse valor, o investidor teria que contar com as seguintes variáveis:
I. Renda de 4% acima da inflação por 35 anos consecutivos;
II. Conseguir se aposentar pelo teto do INSS
III. Necessitar de apenas R$ 6.000,00 por mês (já em valores atualizados) para sobreviver.
Essas premissas são plausíveis? Não. Alcançar uma renda muito acima da inflação, investindo apenas em aplicações conservadoras, é algo muito complicado de se obter. Conseguir se aposentar pelo teto do INSS também é algo muito difícil hoje; imagine daqui a 35 anos, quando o governo terá feito algumas reformas na previdência, aumentado o tempo de contribuição e a idade de aposentadoria, alterado o fator previdenciário, entre outras tantas alterações necessárias para tornar o sistema minimamente sustentável. Dificilmente alguém conseguirá se aposentar pelo teto, mesmo contribuindo pelo topo.
Outro fator que precisa ser considerado é a provável necessidade de uma renda superior daqui a 35 anos. Se por um lado os gastos com filhos terão provavelmente diminuído, por outro os gastos com a própria saúde provavelmente serão muito maiores. Com a idade, torna-se necessário gastar mais com plano de saúde e remédios, o que deve levar uma boa parte da renda embora. E isso se a vida seguir seu curso e os filhos forem ajuizados, porque muitas vezes ocorre de os filhos continuarem a gerar despesa aos pais mesmo quando já são adultos. Quem mandou não educar o moleque direito?
Pois bem: para conseguir uma renda maior, seria necessário economizar uma fatia maior do salário. Com 20%, a renda extra já seria responsável por aproximadamente R$ 3.500,00 a mais, que somados aos R$ 4.000 do INSS, gerariam uma renda total de R$ 7.500. Com 30% de economia, já seriam R$ 5.300 a mais, totalizando R$ 9.300,00 – provavelmente, um patamar que asseguraria maior conforto.
Portanto… mãos à obra para economizar o máximo que se puder. Nunca se sabe o que a vida reserva no futuro e, portanto, é preciso se precaver e garantir a independência financeira.

Sobre o Autor 

Fábio Portela é investidor desde 2006 e disponibiliza neste site seus conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, seja com sua experiência, seja por meio das leituras que fez ao longo dos anos. O autor é mestre em Direito Constitucional e em Filosofia pela UnB, e atualmente cursa doutorado em Direito Constitucional na mesma instituição.http://opequenoinvestidor.com.br


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