Como fazer alocação de ativos e diminuir o risco de sua carteira


Por Fábio Portela

alocação de ativos

A alocação de ativos é uma das medidas mais interessantes que um investidor pode fazer para proteger sua carteira de investimentos. Ter um percentual muito alto de sua carteira alocado em uma única classe de ativos, ou em apenas poucas classes de investimentos, significa assumir uma grande propensão à volatilidade.

Alocação de ativos diminui volatilidade da carteira

Nenhum dos investimentos que realmente vale a pena manter para o longo prazo está livre da volatilidade. Para escapar dela, só aplicando em títulos do tesouro direto diretamente atrelados à Selic (basicamente, a LFT), CDBs, e poupança; os demais investimentos enfrentam grande volatilidade de tempos em tempos.
Isso não significa dizer, por si só, que sua carteira inevitavelmente deverá enfrentar grande volatilidade para alcançar uma rentabilidade minimamente atraente. Para evitar isso, é preciso diversificar entre várias modalidades de investimento. Mas não é qualquer diversidade que é desejável. Comprar muitas ações de empresas do mesmo setor, por exemplo, não garante proteção alguma contra a volatilidade daquele setor da economia. Comprar muitos títulos de longo prazo do tesouro direto também não garante proteção alguma contra a volatilidade.

Alguns critérios para realizar alocação de ativos eficiente

Como proceder, então, para fazer uma alocação de ativos eficiente?
Segundo Richard Ferri, autor de um clássico sobre a alocação de ativos, existem alguns princípios básicos que devem ser respeitados para alcançar esse objetivo.

O primeiro critério: as características dos investimentos analisados são quantificavelmente diferentes?

De acordo com ele, “alocação de ativos é diversificação de risco. Para obter diversificação de risco, é preciso que cada investimento da carteira seja fundamentalmente diferente dos demais”. Por isso, é importante verificar se existem diferenças quantitativas entre os diferentes tipos de ativo.
Algumas vezes, essa diferença é óbvia, e em outras, ela é bastante difícil de ser identificada. Pense, por exemplo, na diferença que existe entre ações e títulos públicos. As diferenças são gritantes. Mas você também pode diversificar na mesma classe de ativos – e fazer uma boa diversificação. Pense em como empresas como Ambev e Vale, ou CSN e Vivo são diferentes e estão sujeitas a riscos totalmente distintos. Alguns dos riscos são compartilhados e são típicos do mercado de ações, e outros riscos são absolutamente incomparáveis.

O segundo critério: a expectativa de retorno de cada classe de ativo deve ser superior à da taxa de inflação

O segundo ponto a ser observado diz respeito à expectativa de retorno no longo prazo. De nada adianta investir em ativos que trazem um histórico de rentabilidade próximo ao da inflação, mesmo que em determinado período apresentem retorno excedente sobre ela. Se sua meta é longo prazo, não se preocupe com o que acontece em curtíssimos períodos.Sua carreira de investidor é uma maratona, não uma corrida de 100 metros rasos. Como diz Ferri:
Ebook de Fábio Portela 

Ativos que apenas seguem o ritmo da inflação não são adequados para o investimento de longo prazo. Comprar esses ativos significaria tirar dinheiro de investimentos que pagam juros e dividendos que têm o potencial de trazer retorno real para comprar investimentos que não geram renda ou dividendos e que não têm potencial de retorno acima da inflação. Esses ativos podem ser adequados para investidores que desejam especular com os movimentos de curto prazo, mas esse livro não é sobre isso. É sobre alocação de capital em investimentos que têm o potencial de ganhos reais no longo prazo.”
Exemplos de ativos sem valor real? Segundo Ferri, exemplo de ativos que não trazem retorno real no longo prazo sãocommodities e metais preciosos. Mesmo que em determinados momentos eles apresentem grande valorização, a tendência no longo prazo é a de reajuste a seu valor histórico, corrigido pela inflação. Mesmo que esses investimentos proporcionem alguma proteção no curto prazo, por apresentarem às vezes correlação negativa com as ações, não haveria qualquer benefício para o longo prazo.

O terceiro critério: a classe de ativo precisa ser acessível a um custo baixo

De nada adianta que um investimento seja quantitativamente diferente de outro, com correlação negativa de rentabilidade, mas seja excessivamente caro. Se você pretende investir por meio de um fundo, procure taxa de administração baixa. Se você pretende investir em ações, procure taxas de corretagem adequadas em relação ao valor que você pretende investir.
Recomendação de leitura
Alguns leitores já andaram me acusando de fazer propaganda demais no blog, mas repito o que já falei em algumas oportunidades: todos os produtos que anuncio aqui foram previamente utilizados por mim, e os recomendo. Tenha isso em mente. No que diz respeito ao tema da alocação de ativos, recomendo fortemente a leitura do livro “Alocação de Ativos”, do blogueiro Henrique Carvalho, que é economista e um dos principais blogueiros sobre o assunto no país. O livro é escrito em linguagem simples e acessível, e o conteúdo é melhor do que o da maioria dos livros brasileiros sobre o assunto.
Se você deseja uma leitura um pouquinho mais pesada e lê bem em inglês, recomendo a leitura do livro do Ferri, a partir do qual elaborei esse post.

Imagem em destaque via Shutterstock.

Sobre o Autor 

Fábio Portela é investidor desde 2006 e disponibiliza neste site seus conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, seja com sua experiência, seja por meio das leituras que fez ao longo dos anos. O autor é mestre em Direito Constitucional e em Filosofia pela UnB, e atualmente cursa doutorado em Direito Constitucional na mesma instituição. Ebook de Fábio Portela  www.opequenoinvestidor.com.br


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