Ser rico é ter tudo o que se quer. Será? - Prof. Elisson de Andrade

Sempre que inicio uma palestra ou curso sobre finanças pessoais, peço que as pessoas escrevam em um pedaço de papel a resposta à seguinte pergunta: o que é ser uma pessoa rica?

 As respostas são as mais variadas. Todavia, gostaria de apresentar e comentar sobre uma noção de riqueza, que está na cabeça de boa parte da população e se encontra implícita nos três exemplos a seguir.



Pergunta: O QUE É SER UMA PESSOA RICA?

Resposta 1: “é ter tanto dinheiro que você pode comprar tudo o que quiser, sem perguntar preço, pois você pode tudo”
Resposta 2:  “significa ter sucesso e prestígio, além de ter recursos para realizar todas as suas vontades”
Resposta 3:  “ser rico é poder fazer tudo o que deseja sem se preocupar se o dinheiro vai faltar para outra coisa”
Vejam que as três respostas trazem consigo a noção de que ser rico(a) é poder ter TUDO o que se quer.

Mas será que isso é verdade?

Do ponto de vista financeiro, a resposta é NÃO. Uma pessoa só consegue aumentar ou manter seu patrimônio, se se acostumar a ter muito critério em suas despesas. Ser financeiramente saudável pressupõe gastar, costumeiramente, menos do que se ganha.
Vamos analisar a saúde financeira de duas pessoas fictícias, que compraram um carro importado. A primeira delas possui patrimônio suficiente para que sua renda passiva (dinheiro recebido do aluguel de seus imóveis, juros de investimentos etc) lhe permita pagar todos os gastos com o carro e, mesmo assim, no mês seguinte seu patrimônio aumenta. A segunda pessoa, por outro lado, não tem um patrimônio que gere renda passiva, entretanto possui uma renda mensal alta, que lhe permite pagar as parcelas mensais do financiamento do carro, no valor de R$2.000,00. Perceba, neste segundo caso, que daqui alguns meses esta pessoa vai ter um veículo que vale menos do que quando comprou zero, sendo que provavelmente seu patrimônio não terá aumentado (talvez diminuído). Isso acontecerá porque toda renda auferida no mês é gasta com bens de consumo que não colocam dinheiro no seu bolso (pelo contrário, geram mais despesas…). E também não será de espantar se, ao terminar de pagar as parcelas, essa pessoa faça outro financiamento para a compra de outro carro zero, mais caro ainda.
A grande diferença entre essas duas pessoas é que a primeira pode ter o carro importado, enquanto a segunda apenas quer tê-lo (status).
É possível verificar que a noção de riqueza, para muitos, baseia-se em um alto nível de consumo. Isso significa que muita gente mede a riqueza dos outros pelo carro que dirigem, a casa onde moram, as roupas que vestem… Porém, como já explicado em texto anterior, existem ativos que compõe nosso patrimônio que corroem nossa riqueza e outros que a fazem crescer. Ser rico(a), portanto, não significará comprar tudo o que se quer, se isso fizer com que seu patrimônio diminua ao longo do tempo. É uma conclusão simples, mas que muita gente não compreende ou não aceita.
Por fim, a mensagem que deixo a vocês é que refletir sobre qual seu entendimento sobre a expressão “ser rico(a)” é essencial para suas finanças pessoais. Isso porque, dependendo da visão que se tem sobre riqueza, suas ações para tornar-se rico serão distintas. Aquele que encara riqueza de maneira a poder consumir tudo o que quer, provavelmente jamais será uma pessoa verdadeiramente rica. Pense nisso e boa sorte em suas finanças e vida pessoal!
Prof. Elisson de Andrade, www.prof.Elisson .com.br 

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