Gustavo Cerbasi: Marketing multinível e pirâmides financeiras


O empreendedorismo vive seu boom no Brasil. Diante dos limitados ganhos da renda fixa, dos imóveis e dos mercados financeiros, os brasileiros têm buscado nos negócios a renda e o aumento de patrimônio antes encontrados nos investimentos tradicionais. Duas grandes tendências recentes têm sido a expansão do mercado de franquias e a regularização do trabalho informal na figura do empreendedor individual.
Marketing multinível e pirâmides financeiras
De carona nesse movimento, um mercado que vem ganhando força e interesse de potenciais empreendedores é o dos negócios de marketing de rede ou marketing multinível. Seu principal apelo é a oportunidade de obter resultados não só pela venda de produtos e serviços, mas também pela comissão daquilo que é vendido por pessoas que entram no negócio a partir de sua indicação ou da indicação dos que são indicados por você. É daí que vem os nomes marketing de rede – você ganha com os ganhos de sua rede de relacionamentos – e marketing multinível ou MMN – cada nível abaixo de você lhe paga uma parcela do que vende.
Na prática, o MMN é uma das mais simples formas de empreender. Em vez de criar um negócio próprio, alguns preferem o mercado de franquias, dividindo lucros com os donos de marcas consagradas com administração padronizada. Com menos risco ainda e com maior divisão dos lucros, vem o MMN com padronização total no marketing e na forma de vender e de captar novos membros para a rede, além de um cuidadoso treinamento para que o empreendedor não saia do script.
O risco assumido é menor porque, quando comparado com os negócios de franquias, o investimento é reduzido e, se o participante desistir do negócio, perde apenas o valor investido. Além disso, os treinamentos recebidos vão muito além da gestão dos negócios, incluindo técnicas de motivação, persuasão e neurolinguística. É por isso que esse tipo de negócio cresce rapidamente.
Mas, apenas das vantagens proporcionadas pela flexibilidade, o MMN traz também suas armadilhas. Para aqueles que entram no negócio crentes de que enriquecerão porque contam com uma boa rede de amigos, o MMN não passa de pirâmide. O motivo é simples: ao entrar em um negócio acreditando que ganhará dinheiro sem precisar trabalhar, o falso empreendedor transmite esse mesmo sentimento a sua rede, mesmo que não tenha a intenção. Sem que ninguém se esforce na rede, não há vendas, o resultado é nulo para todos, e ainda há o risco de perder as amizades juntamente com a perda do negócio.
Mas, para quem tem visão empreendedora e acredita que irá trabalhar muito para ter sucesso nas vendas dos produtos ou serviços que a empresa de MMN negocia, esse tipo de negócio pode trazer ótimos resultados. Se o produto for bom, o mercado responderá a boas estratégias comerciais.
Na prática, um negócio de MMN pode tanto ser promissor como não passar de uma pirâmide, dependendo do interesse que o mercado tem pelo que vendem e da qualidade dos empreendedores que entram em sua rede. Com empreendedores se esforçando e colhendo bons resultados, a tendência é que seus amigos queiram seguir seu exemplo e se esforcem também, multiplicando resultados para todos. Mas, se a rede for formada por oportunistas, mesmo uma empresa com bons produtos pode se tornar uma roubada.
Gustavo Cerbasi é consultor financeiro e autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (Ed. Gente), Como Organizar sua Vida Financeira (Elsevier Campus) e Os Segredos dos Casais Inteligentes (Ed. Sextante).



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