Qual o SEU objetivo ao investir? Por Fábio Portela

Fábio Portela

Hoje o assunto é sério e explica porque muita gente anda insatisfeito com seus investimentos. Em tempos de alta na Selic, os investidores de títulos do tesouro direto de longo prazo e de fundos de renda fixa atrelados a esses fundos andam insatisfeitos. Investidores em ações também, já que o Ibovespa tem apresentado importantes quedas ao longo dos últimos tempos. Fundos de investimento imobiliário também têm sofrido com a alta da Selic. Renda fixa de curto prazo também tem rendido muito pouco. Só tem alegria quem tem se arriscado contra o mercado com operações vendidas – e mesmo assim, muitas vezes assumindo grandes riscos.
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Os tempos não estão fáceis e tenho visto muitas reclamações relativamente a uma ou outra dessas classes de ativos. Alguns leitores têm escrito perguntando “até quando” a sangria vai continuar e se não vale a pena desaplicar os recursos e aplicar o dinheiro em investimentos menos “arriscados”. Estão preocupados com as quedas e com o tempo necessário para se recuperar delas. A preocupação é legítima, claro: afinal, ninguém gosta de perder dinheiro. Mas… será que a responsabilidade não é sua?

Você estudou as características do investimento antes de aplicar seus recursos?

Por que você escolheu esse investimento e não outro? Você estudou a natureza do investimento? Se você investiu dinheiro no tesouro direto, em títulos de longo prazo, não sabia dos riscos de queda com a alta da Selic? Se não sabia, a responsabilidade é sua, não do tesouro direto nem do Banco Central. Se você investiu dinheiro em ações, já devia saber que a única certeza sobre o mercado é a sua volatilidade. O mesmo pode ser dito quanto aos fundos de investimento imobiliário.

Ou seja, sem surpresa: qualquer uma dessas modalidades de investimento pode apresentar altas fortíssimas ou quedas igualmente fortes em determinados períodos de tempo. O problema é que muita gente quer se iludir, achando que a bolsa só vai subir, que seu fundo de investimento só vai disparar e que em 2 anos conseguirá absoluta independência financeira. Sorry, man… não é assim que as coisas funcionam no mundo real.

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  Você fez os estudos ou seguiu a dica do amigão que tinha um “investimento certo”? Muita gente investiu no tesouro direto e nos fundos de investimento imobiliário por conta do sucesso recente dessas aplicações.  Os títulos de longo prazo dispararam até ano passado, quando a Selic vinha em queda. Os FIIs subiram muito, em parte, por conta disso também – afinal, se os juros estão caindo, o preço dos FIIs acaba subindo para compensar a rentabilidade. Algumas pessoas ganharam dinheiro com isso – algumas, por acaso, ganharam sem entender muito o que estava acontecendo e conseguiram convencer os amigos a investir nesses ativos. Como ninguém sabia o que estava acontecendo, acho que aquele panorama seria mantido indefinidamente. Mas… “indefinidamente” é uma palavra que não existe em economia.

A lição que fica é: estude antes todas as características dos investimentos antes de aplicar seu dinheiro. E nunca siga cegamente o conselho de ninguém sobre investimentos. Nem os meus. 

Você tinha um plano de investimentos?

Outra razão para as pessoas terem “prejuízo” com os investimentos decorre do fato de que muitos não têm o menor planejamento. Não sabem sequer porque estão investindo. Apenas escolhem aleatoriamente um investimento por causa do seu passado ou porque receberam a dica do cunhadão e se aventuram loucamente sem nem saber para quê vão querer o dinheiro no futuro.

Por que usei a expressão “prejuízo” entre aspas? Porque, dependendo do planejamento feito e dos objetivos do investidor, não seria nem adequado falar em prejuízo pelo simples fato de as ações terem caído, ou de o tesouro direto ter apresentado rentabilidade negativa. Se você quer investir para o longo prazo e deseja usar o dinheiro na sua aposentadoria em 2040, por que diabos está preocupado com a queda no preço das ações em 2013? Não seria mais produtivo enxergar a oportunidade de comprar ações de empresas em que você acredita a preços mais baixos? Ou de comprar títulos do tesouro direto com taxas mais atraentes do que as de alguns meses atrás?

Claro, você só pode se dar ao luxo de pensar assim se seu objetivo for de longo prazo. Se você tiver um objetivo de curto prazo – por exemplo, quer usar o dinheiro para pagar um curso de especialização no ano que vem ou para comprar um carro daqui a 6 meses -, não faz o menor sentido adotar esse raciocínio. Cacete, você vai precisar do dinheiro daqui a 6 meses! Você não pode se dar ao luxo de arriscá-lo em nada que apresente lá muita volatilidade. Aplique em CDB, poupança e até títulos do tesouro direto de curto prazo ou em LFTs, mas não aplique em ações ou em títulos de longo prazo só porque “acha” que tudo vai disparar e que o céu é o limite.

Essa é exatamente a situação de muitos leitores que me enviaram e-mails nas últimas semanas. Eles tinham planos de curto prazo, mas escolheram investimentos de longo prazo. E se estreparam porque descumpriram uma regra básica: não souberam adequar seus investimentos a seus objetivos.
Portanto, se você está preocupado com a situação atual dos seus investimentos, respire fundo e pense: “o que eu quero fazer com o dinheiro? E quais investimentos podem me trazer rentabilidade adequada para alcançar esse objetivo no prazo estipulado?”. Se você não sabe, estude. Basicamente, a tábua que eu uso é essa:
Investimentos de curto prazo (até 2 anos): Tesouro Direto (LFT), poupança, CDB, LCA, LCI
Investimentos de médio prazo (entre 3 e 5 anos): Tesouro Direto (LFT e títulos com vencimento casado com o prazo do resgate da aplicação)

Investimentos de longo prazo moderado (acima de 5 anos): NTN-B e NTN-B Principal, no Tesouro Direto, com vencimento atrelado ao prazo de resgate; fundos de investimento imobiliário
Investimentos de longo prazo (eu colocaria como “indefinido”): NTN-B e NTN-B Principal, no Tesouro Direto, com vencimentos mais longos; ações;  fundos de investimento imobiliário
Investimentos para viagens ao exterior: se seu objetivo é viajar para o exterior, o ideal é manter parte das aplicações em um fundo cambial, de modo a se garantir contra as flutuações da moeda.
Note que essa é apenas uma sugestão, não uma regra absoluta. Há quem odeia investir em LFTs, mesmo para o curto prazo, e há quem goste das NTN-B apenas para investimentos de longuíssimo prazo. Enfim, cada um tem seu perfil e o que você deve fazer desde já é descobrir o seu.

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Sobre o Autor 

Fábio Portela é investidor desde 2006 e disponibiliza neste site seus conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, seja com sua experiência, seja por meio das leituras que fez ao longo dos anos. O autor é mestre em Direito Constitucional e em Filosofia pela UnB, e atualmente cursa doutorado em Direito Constitucional na mesma instituição.http://opequenoinvestidor.com.br


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