Prazer não traz felicidade - Prof. Elisson de Andrade

No presente post, irei falar de um livro chamado Flow: The Psychology of Optimal Experience, do autor Mihaly Csikszentmihalyi. Digamos que fiquei apaixonado por essa leitura e que seu conteúdo revelou-me uma nova maneira de encarar questões relevantes em minha vida pessoal e profissional. Em especial, as páginas 46 e 47 deste livro foram relidas por mim inúmeras vezes, tamanho o impacto que me causou. Então, decidi compartilhar essas ideias com você, leitor, neste artigo.
 http://w3.i.uol.com.br/Wap/2010/04/07/midia-indoor-economia-emprego-trabalho-trabalhador-funcionario-estresse-negocio-executivo-chefe-depressao-ocupacao-demissao-desemprego-escritorio-workaholic-tristeza-salario-1270654693622_615x300.jpg
Inicialmente, será preciso fazer a distinção entre dois termos em inglês, de forma a assegurar a correta compreensão das argumentações a serem expostas adiante.

- Enjoyment: em meu dicionário Oxford, um de seus significados é “o prazer (pleasure) que você sente por algo”. Em outro dicionário (Longman), são sinônimos de enjoy: gostar de, aproveitar, desfrutar de, gozar de. Já no Chambers, achei outro sinônimo: DELEITE. Esse termo, no dicionário Aurélio, traz o significado de prazer inteiro, pleno.

- Pleasure: no Oxford é trazido como sinônimo de enjoyment, tratando-se de “um sentimento ligado à felicidade e satisfação”. Na maioria dos dicionários inglês/português, o primeiro sinônimo descrito é prazer.

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Veja, portanto, que nos dicionários, as definições de enjoyment e pleasure são bastante parecidas. Porém, no texto de Mihaly, essas palavras são usadas de maneira completamente distintas e será preciso diferenciá-las também neste artigo, para não gerar dúvidas. Assim, enjoyment será tratado como DELEITE e pleasure como PRAZER. Apesar de em nossa linguagem coloquial os termos serem similares e usados quase que indistintamente, para a compreensão da argumentação do autor, a diferenciação é imprescindível.

Definido o uso dos termos que serão usados de agora em diante (deleite e prazer), apresentarei as ideias das páginas citadas anteriormente, do livro Flow: The Psychology of Optimal Experience. Como aparecem alguns termos técnicos que prejudicariam o entendimento do texto, sem a leitura dos capítulos anteriores, apresentarei uma “quase tradução”, ou seja, a estrutura é muito similar à original, porém com alguns ajustes realizados por mim, no intuito de não prejudicar a compreensão da ideia central.

PRAZER E DELEITE

Prazer é um importante componente de qualidade de vida, mas por si só, não traz felicidade. Dormir, descansar, comer e fazer sexo (todos esses, exemplos de prazer) são atitudes que oferecem uma fortificante experiência que permite que a consciência retorne à sua ordem, dado que o corpo possui suas necessidades. Mas o prazer não produz crescimento psicológico. Ele não adiciona complexidade à pessoa. Enfim, o prazer ajuda a manter a ordem, mas sozinho não consegue criar uma nova ordem na consciência.

Quando se pede a uma pessoa que reflita sobre o que realmente importa em sua vida, ela tende a se mover além das memórias prazerosas e começa a relembrar de ocasiões que se sobrepõem a estas últimas. Tais experiências caem em categoria diferente do prazer: é o que denominaremos deleite. Esses eventos ocorrem quando a pessoa não apenas atinge alguma expectativa prévia (ou satisfaz uma necessidade ou desejo), mas experimentam situações que vão além do que se programou fazer – atingindo resultado inesperado… Talvez algo nunca imaginado antes.

Deleite é caracterizado como um movimento adiante: um senso de inovação, de realização. Ler um livro que revele coisas novas, uma conversa que nos leve a expressar ideias que nunca ocorreram outrora, terminar um trabalho árduo… Tais experiências talvez nem tenham sido prazerosas no momento que estavam sendo vividas, mas no momento que as relembramos, isso é feito com alegria e gostaríamos que acontecessem novamente. Depois de um evento de deleite, percebemos uma mudança, um crescimento interior. Em certa medida, tornamo-nos mais complexos como resultado daquela experiência.

Prazer e deleite podem ocorrer simultaneamente, mas são completamente diferentes. A princípio, todos nós temos prazer em comer. Mas deleite é algo mais profundo. Isso significa que podemos ter prazer sem qualquer investimento em uma energia psíquica para tal, enquanto o deleite acontece apenas quando investimos toda nossa atenção em algo. Portanto, é possível sentir prazer sem fazer muito esforço, bastando apenas que os locais apropriados do cérebro sejam estimulados eletricamente ou quimicamente através de alguma droga. Por outro lado, é impossível deleitar-se com um jogo de tênis, com a leitura de um livro ou com uma conversa, se a atenção não estiver focada completamente na atividade em questão.

É por essas características que o prazer é tão passageiro, tendo como consequência que uma pessoa não cresce ao entrar em contato com uma experiência apenas prazerosa. Há de haver complexidade e investimento de energia em objetivos que são novos e que sejam desafiadores, para que exista crescimento pessoal. Se uma pessoa, por algum motivo, tornar-se complacente e não desejar mais aceitar desafios (não investir energia em novas direções), talvez nunca sinta deleite. Tal situação faz com que o prazer seja a única fonte de experiência positiva para esse indivíduo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Essa forma de pensar expressa no texto de Mihaly veio ao encontro de muitas coisas que penso sobre Educação Financeira, mas ainda não havia encontrado na literatura uma argumentação tão lógica e completa. O modo de vida atual me parece moldado a tolher a complexidade e a capacidade ao deleite. Tudo é efêmero e as pessoas, no geral, vivem em busca de prazeres como uma roupa nova, um carro do ano, o novo modelo de iPad, e por aí vai. A superficialidade está em todos os cantos e isso afeta em demasia as finanças pessoais, pois boa parte do orçamento doméstico é destinada a prazeres passageiros.
 
Para concluir, penso que podemos discutir sobre mercado de ações, novas regras da caderneta de poupança, como pagar menos imposto, ou qualquer outro assunto técnico, todavia, se questões mais profundas sobre nossa própria condição de ser humano não estiverem bem resolvidas, todo esse tecnicismo será mero penduricalho. Ou seja, sugerir guardar dinheiro, para uma pessoa que se prive do deleite e viva apenas de prazer, pode não fazer sentido algum. Pense nisso!!!!

Boa sorte em suas finanças e vida pessoal.
Prof. Elisson de Andrade, www.prof.Elisson .com.br



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