Viver ou poupar? - Fábio Portela

 

Esses dias, li uma mensagem atribuída ao Max Gehringer, comentarista da CBN e que tinha há alguns anos um quadro no Fantástico, “O Conciliador”, que vale a pena comentar.


viver ou poupar, gastar ou poupar, curtir ou poupar 
 O texto, que já havia recebido algumas vezes (Facebook, e-mail, corrente, etc) tem sido anunciado como uma bandeira dos gastadores contra quem se importa com o longo prazo e economiza para poder dar a si mesmo e a sua família um futuro melhor.  Mas é uma bobagem.
Leia o texto:

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Repito: o texto é uma bobagem.
Por quê? Porque parte de um exemplo idiota que só é mencionado por aconselhadores financeiros para mostrar que cada centavo importa na hora de economizar e investir. Mas isso não significa, nem nunca significou, que todo mundo deve economizar o dinheiro do cafezinho, da pizza, do cinema, e deixar de fazer qualquer uma dessas atividades.

É óbvio, claro que você deve aproveitar a vida. Mas não precisa gastar todo o dinheiro para isso. Não precisa tomar cafezinho toda hora, comer pizza todo dia. Os pequenos gastos importam na hora de construir um futuro financeiro, mas isso não significa dizer que você não possa curtir o prazer que eles proporcionam de vez em quando.

O que importa é você traçar um plano de investimentos e segui-lo. Se você planejou economizar 30% do seu salário e seguiu seu plano, fique à vontade para gastar o restante. Tome seu cafezinho, faça sua viagem, compre seu objeto de desejo (uma roupa, um livro, um carro), faça o que você quiser. Você já seguiu o plano traçado. PONTO.

O principal problema do texto é que retrata as pessoas que se preocupam com o futuro financeiro como sovinas que economizam qualquer coisa a qualquer custo. É óbvio que, se você for um tio Patinhas que não gasta dinheiro com nada, vai ter mais dinheiro no futuro. Mas vai deixar, sim, de viver um pouco o presente. Não questiono mesmo quem faça isso, afinal, a vida é de cada um para decidir o que fazer  e como quer viver sua vida. Mas vejo um problema em quem gasta tudo o que tem loucamente e sem se importar com o amanhã; são essas pessoas que, no futuro, irão se tornar um problema para outras pessoas. São elas que irão pedir dinheiro emprestado pro irmão, pro primo, pro cunhado, e não irão pagar. São essas pessoas que aporrinharão os filhos exigindo cuidados – quando na verdade elas é que tinham que ter sido responsáveis para construir seu próprio futuro.

Gosto muito de algumas abordagens do Max Gehringer, mas nessa ele pisou na bola. Deu apenas um péssimo exemplo para muitos que o citam para endossar seu estilo perdulário de vida. Viver e poupar é possível, não há um trade-off necessário entre uma coisa e outra. Só é preciso um pouco de equilíbrio.
 .

Sobre o Autor 

Fábio Portela é investidor desde 2006 e disponibiliza neste site seus conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, seja com sua experiência, seja por meio das leituras que fez ao longo dos anos. O autor é mestre em Direito Constitucional e em Filosofia pela UnB, e atualmente cursa doutorado em Direito Constitucional na mesma instituição.http://opequenoinvestidor.com.br



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