vale a pena mudar-se para economizar?

Há três anos, Noelle Besse mudou-se, juntamente com sua família, da cidade de Francisco Morato para São Paulo. Desde então, Noelle, o pai e o irmão contabilizam as vantagens proporcionadas pela mudança. “Antes, nós três éramos obrigados a pegar um ônibus até o centro da cidade, depois um trem, fazer uma baldeação no metrô e, por fim, pegar mais um ônibus até nosso destino final. Hoje, os custos diários com nosso deslocamento para o trabalho chegariam a quase R$ 17 por pessoa. Após a mudança, esse valor caiu para cerca de R$ 6”, afirma.

 vale a pena mudar-se para economizar?

Além das despesas com transporte, a família conseguiu reduzir significativamente os gastos com alimentação fora de casa. Saindo de casa por volta das 5h da manhã e retornando após as 23h, Noelle diz que gastava pelo menos R$ 20 por dia só com café da manhã e um lanche no final da noite, sem contar o almoço. “Agora, consigo tomar café e jantar em casa, o que representa uma grande economia”, diz.

O tempo perdido em deslocamentos nos grandes centros urbanos e, sobretudo, os custos envolvidos nessas viagens diárias têm levado muitas famílias a trocar de endereço em busca de redução de despesas. Mas, os consultores em finanças pessoais alertam: antes de organizar a mudança, é preciso considerar todos os itens que podem afetar o orçamento doméstico. Em geral, diz Antonio De Julio, especialista em finanças do programa de educação financeira Moneyfit, as pessoas calculam apenas os gastos com transporte (ou gasolina e estacionamento) e com as refeições fora de casa. Mas, existem outras despesas que podem fazer da mudança um mau negócio.

“Muitas vezes, na hora de colocar na balança a opção de morar mais perto do trabalho ou escola, as pessoas pensam apenas no fator locomoção. Mas, se a mudança permite também abrir mão do carro, é possível vendê-lo e deixar de gastar não apenas com combustível e seguro, mas com impostos e manutenção, além de evitar a desvalorização do veículo. A família pode calcular ainda o quanto poderia receber aplicando o valor do automóvel”.

A conta deve incluir também aumentos no aluguel ou no condomínio. A analista de planejamento financeiro Carmen Lucia Calvo, por exemplo, optou por continuar morando no Parque do Carmo, na zona Leste de São Paulo, apesar de trabalhar a 33 quilômetros de distância, no bairro Vila Olímpia, na zona oeste da capital paulista. Mesmo gastando R$ 270 por mês com o fretado que a leva ao trabalho, Carmen acredita que, do ponto de vista financeiro, esta é a melhor opção. “Minha condição financeira não me permitiria pagar um aluguel na região do trabalho, que é caríssima. Além disso, pago um preço bom para ir e voltar de ônibus, o que me levou a eliminar despesas como estacionamento”.

De Julio ressalta ainda que não podem ficar fora do cálculo itens como a variação de preços nos supermercados próximos à nova residência. “É preciso pesquisar os valores cobrados pelo comércio e pelos serviços no novo local, inclusive por salões de beleza, escolas para os filhos, academia e até mesmo cinema. Muitas vezes, custos como estes fazem grande diferença,” diz o consultor.

Noelle diz que a mudança para São Paulo, que ocupa a posição de 10ª cidade mais cara do mundo, foi vantajosa do ponto de vista de compras. “Na cidade em que vivia antes, existiam poucas opções de supermercados e os preços eram bem mais altos que os encontrados na capital paulista”, afirma.
Há ainda outros aspectos que devem ser lembrados, mesmo não sendo financeiramente mensuráveis, diz o consultor. “Quando se mora perto do trabalho, a menor exposição ao trânsito também significa uma menor possibilidade de acidentes.” Além disso, quem pode caminhar até a empresa acaba tendo menos estresse, acrescenta De Julio.
 
Para a administradora Marinildes Queiroz, um dos pré-requisitos para que considerasse uma nova proposta de emprego foi a distância de sua casa até a empresa. Depois de alugar um flat mais caro porque queria ir trabalhar a pé, ela acabou comprando um apartamento a um quilômetro de distância da companhia em que trabalhava. “Quando recebi uma nova oferta de trabalho, uma de minhas primeiras perguntas foi sobre a distância do escritório. Aceitei quando, entre outras coisas, descobri que ficava muito próximo da minha casa”, diz.

Agora que a sede da empresa corre o risco de ser transferida para um local 30 quilômetros mais distante, ela estuda alugar seu apartamento e usar a renda para pagar a locação de um imóvel ao lado do novo escritório. “Mais do que apenas economizar, o que me motiva é ganhar em qualidade de vida, pois não perco tempo no trânsito”, afirma.

Na opinião do consultor De Julio, as questões relacionadas à qualidade de vida, como o exemplo de Marinildes, também devem ser colocadas no papel. Há ainda o chamado “custo do ecossistema”, segundo o especialista. “Como cidades grandes como Rio de Janeiro e São Paulo tendem a ser multiculturais, com bairros muito diferentes, algumas pessoas não se dão bem com o modo de vida de outros locais”.
Preocupada com qualidade de vida e cansada de levar até cinco horas no trânsito no deslocamento diário para o trabalho, a analista de comunicação Patrisia Ciancio não teve dúvidas ao escolher o apartamento que compraria com o marido em Niterói, no Rio de Janeiro. “Depois de analisar várias oportunidades, investimos em um imóvel no centro da cidade. O custo do apartamento foi 50% superior ao da opção mais em conta. Mas, além de reduzirmos tempo e dinheiro empregados em transporte, estamos mais felizes e menos cansados. Isso não tem preço”, afirma
Antônio de Julio, www.antoniodejulio.com.br



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