A verdadeira riqueza - Prof. Elisson de Andrade

Prof. Elisson de Andrade:

A história que vou lhes contar teve início há um ano e meio.

Saulo, um senhor com seus quarenta e tantos anos, empresário, trabalhador desde muito jovem, estava sentado em frente ao computador conferindo suas finanças pessoais. Após atualizar a planilha de orçamento doméstico, pôs-se a analisar seus investimentos financeiros. A alocação de ativos de Saulo era de causar inveja até ao investidor mais experiente. Dominava complexas operações financeiras, diversificava, revia sua carteira constantemente e colhia bons frutos advindos de anos de estudo sobre o mercado de ações, renda fixa, imobiliário, dentre outros.

Sempre tivera orgulho da “mão firme” em segurar as finanças da casa, que julgava ser imprescindível para o bem estar de todos: esposa e dois filhos. Mas de maneira súbita, talvez devido à crise da meia idade lhe pesando sobre os ombros, fechou suas planilhas e começou a refletir sobre a vida. Há tempos Saulo vinha amargando a sensação de que todo aquele esforço financeiro não estava resultando em uma melhora no ambiente familiar. A convivência com a esposa estava bem mais superficial que nos tempos de outrora, e percebia também certo déficit em relação ao envolvimento com os filhos. Foi então que decidiu agir e contabilizar (era muito bom nisso) por quantas andava seu saldo emocional com cada membro de seu clã.
Ao chegar em casa, antes de dormir, iniciou uma franca conversa com a esposa – algo que nos últimos anos não havia ocorrido uma única vez. Propôs-se a apenas ouvir, pacientemente e sem sua peculiar imposição de visão própria, as argumentações de Sofia. Após  alguns minutos de queixas, que versavam desde a falta de momentos de lazer até a pouca procura por momentos mais íntimos, Saulo percebeu que sua conta emocional estava no vermelho. Como bom investidor, sabia que tal situação não se sustentaria a longo prazo, pois os juros dessa dívida aumentavam de forma exponencial, a cada dia que se passava. Nesta noite, quase que não dormiu, mas prometeu a si que faria algo para sanar esse problema.

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No primeiro fim de semana que se seguiu a essa conversa, Saulo prontificou-se a realizar o mesmo experimento com os filhos. Luan, um adolescente com seus conflitos próprios da idade, era um garoto distante do pai. Ao iniciar o diálogo, o jovem pensou em se tratar de mais algum sermão, mas espantou-se quando o pai deu-lhe a palavra, sem restrições. Ficou sem saber o que falar, ofereceu um argumento estranho aqui, outro deveras pertinente acolá, mas Saulo percebeu que sua dívida com o filho era ainda maior que a credora mãe. Mas sem titubear, ele seguiu em frente e foi ao encontro da filha, também a sós.
Ingrid era o xodó do pai. Menina com dez anos de idade, muito esperta e amorosa, sempre lhe pareceu ser o porto seguro da casa, em relação a afeto. Com ela, Saulo teve que se desdobrar para descobrir seu saldo emocional, e depois de um olhar bastante atento, percebeu que era ela que havia feito depósitos imensos em sua conta pessoal. Ele também lhe dava carinho, mas notou que não sabia nem mesmo o nome das amiguinhas da filha. “É, também nesse caso”, pensou, “estou devendo”.

Passadas tais experiências dolorosas, mas de grande valia, Saulo decidiu fazer um planejamento emocional. Como era muito bom em traçar metas, diminuiu sua carga de trabalho (que começava cedo e ia até altas horas da noite, na empresa em que era o dono) e sentenciou que voltaria para casa, todos os dias, às seis horas em ponto. E que, nos finais de semana, se dedicaria integralmente à família. Para que isso fosse possível, percebeu ser necessário mudar sua rotina na empresa: começou a delegar funções e não mais querer mais resolver todos os problemas sozinho; os entraves corriqueiros do dia a dia começaram a ser tratados com tranquilidade e sabedoria, ao invés dos costumeiros arroubos de fúria. E por que isso? Era necessário guardar energia para seu mais novo desafio: quitar seu saldo emocional negativo.

Ao longo dos últimos meses, até o dia de hoje, esse novo homem incorporou hábitos como: caminhar com a esposa todos os dias ao final da tarde, em que trocavam conversas interessantíssimas, sendo que tal atividade melhorou sua disposição física, até mesmo para os tais momentos íntimos reclamados por Sofia; planejava meticulosamente os finais de semana, com atividades decididas em comum acordo com os membros da família; envolveu-se com os estudos de sua xodó e até em reuniões de pais, na escola, começou a ir; conversando com o filho em um estádio de futebol (nunca haviam ido juntos, apesar de Luan adorar o esporte e torcer pelo mesmo time do pai), percebeu neste um interesse muito grande em finanças e começou a repassar seus conhecimentos sempre que indagado; além de várias outras interações, ora em grupo, ora com cada membro separadamente, que lhe traziam momentos de extrema felicidade. Ao invés de saques (brigas, imposições, intrigas, descaso), focou em depósitos emocionais e no respeito às vontades alheias. Saiu do estágio de independência para a interdependência.

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Hoje, Saulo ainda continua com suas planilhas eletrônicas, verificando seu orçamento e a alocação dos ativos – isso lhe traz a segurança que a família necessita. Porém, agora as decisões financeiras são tomadas em conjunto e os próprios filhos viraram fiscais do desperdício de dinheiro – pois se tornaram parte do processo. Percebeu, com o tempo, que sua maior conquista não estava no patrimônio financeiro, mas de ter conseguido reverter a situação de sua poupança emocional familiar. Através de ações cotidianas simples e mais humanas, baseada em uma revisão de prioridades, conseguiu sair do vermelho e poder contar com uma poupança emocional bastante polpuda, em relação a cada membro da família. E toda vez, em seu escritório, quando desliga o computador, diz bem baixinho, só para si: agora sim, conquistei minha verdadeira riqueza.

Via Prof. Elisson de Andrade.com.br


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